O GAP do ENAMED 2025: Quais oportunidades e insights a Industria Pharma pode estar perdendo?

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oportunidades e insights a Industria Pharma

Nos últimos meses, a discussão sobre o ENAMED ganhou força, e eu acho que tem uma leitura que importa muito para quem trabalha com Marketing e Educação Médica na Indústria Farmacêutica

Não é sobre mais uma prova. 

É sobre o que ela sinaliza: o sistema está formando médicos com níveis muito diferentes de competência clínica, e isso se choca com um cenário onde as vagas de residência seguem limitadas

O resultado prático é um duplo gargalo

1) Nem todo médico recém-formado consegue entrar na residência, e não é só por falta de vaga importância da Educação Médica Continuada no cenário atual

Sim, há restrição de vagas, principalmente em algumas especialidades e regiões. 
Mas existe outro filtro silencioso: desempenho e prontidão

Uma parte relevante dos concluintes não atinge o nível mínimo esperado de proficiência. Isso significa que, para muitos, o caminho até a residência não é apenas concorrência, é lacuna de competência

E isso tem implicações enormes para o sistema. 

2) E quem entra… muitas vezes entra sem estar pronto para o ritmo do R1.

Aqui tem um ponto sensível, mas necessário: 

Residência é ambiente de alta exigência, alta carga assistencial e tomada de decisão real. 
Quando o residente chega com lacunas importantes, quem sofre é: 

  • o próprio residente (sobrecarga, insegurança, estresse); 
  • o preceptor (que vira “nivelador” além de supervisor); 
  • o serviço (com impacto direto em qualidade e segurança); 
  • e, no limite, o paciente. 

Ou seja: a residência está sendo pressionada a cumprir duas funções ao mesmo tempo

  1. formar especialistas; 
  2. corrigir déficits de base que deveriam vir resolvidos da graduação. 

A oportunidade (real) para a Indústria Farma é investir em infraestrutura educacional, não em ações. 

É aqui que eu vejo um espaço enorme de contribuição e geração de valor. 

Porque, se a formação está mais heterogênea, o sistema vai precisar cada vez mais de: 

✅ Programas de nivelamento para R1 (com foco em segurança). 

Bootcamps de competências mínimas: raciocínio clínico, condutas sindrômicas, prescrição segura, protocolos, farmacovigilância, urgências prevalentes. 

 Trilhas de aprendizagem do guideline à prática. 

Conteúdo curto, aplicado, com caso clínico e decisão, no ritmo da assistência, não no ritmo do auditório. 

 Apoio real à preceptoria. 

Ferramentas, métodos e materiais para preceptores: rubricas, roteiros de discussão, banco de casos, avaliação prática e feedback. 

E tem um detalhe que muda tudo: isso precisa ser mensurável
Educação sem métrica vira percepção. Educação com métrica vira prioridade. 

Minha reflexão para o Marketing Farma: 

Se antes educação médica era muitas vezes tratada como ação de relacionamento, talvez agora seja hora de tratar como infraestrutura do ecossistema

Porque o que está em jogo não é só imagem de marca. 

É a capacidade do sistema de formar, com segurança e consistência, o médico que vai decidir na linha de frente. 

E eu acredito que a Indústria Farma pode ocupar um lugar importante aqui, desde que com: 

  • governança científica; 
  • transparência; 
  • foco em competência; 
  • e separação clara entre educação e promoção. 

O Enamed tirou a venda dos nossos olhos. A pergunta para os líderes do setor agora é: 

Que lacuna de prontidão eu ajudo a fechar, e como eu provo isso com dados? 

Quem tiver a visão estratégica para apoiar os preceptores e residente hoje, terá uma construção de marca ainda melhor? 

Vamos discutir caminhos? 

<h4>Aline Butinhão</h4>

Aline Butinhão

Profissional de Marketing Farmacêutico | Fundadora da Valuar Transformando a comunicação científica em pontes de valor entre marcas, médicos e pacientes.

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